Regresso ao tema porque os anos passam e assistimos a uma
inacção gritante nesta matéria por parte do Governo e muito especialmente das
autarquias.
Cascais, Oeiras e Sintra são um exemplo, um mau exemplo,
de uma confrangedora falta de ideias, de objectivos a atingir em relação à
temática Resíduos.
Sintra não consegue sair do mesmo registo medíocre,
Oeiras esforça-se por conseguir ser o pior dos piores, abandonando as políticas
de vanguarda que implementou nos anos oitenta/noventa, Cascais afirmou, através
da Empresa Municipal Cascais Ambiente, uma nova postura no que respeita à
limpeza urbana (hoje é claramente dos municípios com mais qualidade no trabalho
desenvolvido na limpeza urbana) mas, no que respeita a política de resíduos
mostra que está sem rumo.
Estes municípios cometeram
um erro crasso ao abandonar o Plano Estratégico de Resíduos de Cascais, Mafra,
Oeiras e Sintra em 2007.
A reciclagem é um imperativo ambiental. Num planeta com
recursos finitos é fundamental o esforço em reutilizar e reciclar os materiais
a uso antes de gastar mais recursos para produzir novo. Isto os nossos
governantes, os nossos autarcas, até entendem mas não valorizam nem transformam
numa prioridade. Lamentável!
Cascais substituiu o esforço real e efectivo na
reciclagem por umas iniciativas anuais de recolha de lixo no fundo do mar.
Duas lições podemos tirar desta “nova” estratégia:
1ª Lição: o importante não é reciclar, é aparecer na
televisão;
2ª Lição: Cascais parece ter perdoado a um dos autores
materiais do desvio da quase totalidade do espólio existente no Museu do Mar
nos anos oitenta (eu era o Vereador do Pelouro da Cultura em Cascais nessa
altura…). Pelo menos Miguel Lacerda parece ter aprendido a devolver o que
recolhe no fundo do mar a quem lhe paga as expedições…Já não é mau…
Uma política de resíduos alicerçados na reciclagem tem
custos acrescidos na recolha mas tem vantagens na valorização dos recicláveis e
na diminuição dos custos de deposição final.
Mas para resultar tem que ser transformado num projecto da
comunidade e para isso a sensibilização tem que assumir novos contornos, tem
que chegar a quem separa e transporta os resíduos até à contentorização e não
apenas nas escolas!

Ora se os municípios optam por contentorização de maior
capacidade que fica mais longe de cada munícipe fácil é perceber que não é
muito motivante!
Se não há cuidado na higienização da contentorização as
pessoas passam a evitar frequentar esses espaços!
E por último, mas talvez o aspecto mais importante, qual
a diferença entre o cidadão cumpridor e aquele que se comporta como se vivesse
no século XVIII?
Se eu separo em casa e reciclo tenho que pagar a mesma
tarifa que o meu vizinho que só entrega resíduo indiferenciado? Porquê?
Enquanto Cascais, Oeiras e Sintra não souberem ou
quiserem responder a esta pergunta, com argumentos (que não descortino quais
possam ser…) ou com uma mudança de cobrança e cálculo da tarifa dos RSU, vamos
continuar a apreciar a desmobilização da população para este desígnio e vamos
continuar a assistir à diminuição do peso dos recicláveis no total de RSU
produzidos nestes três municípios.
A História podia ter sido diferente…